CONSTRUIR A PRÓPRIA CASA - Construir um tecto com azulejos

O tecto em azulejos
Hoje vou falar de mais um pequeno projecto caseiro, realizado na área da construção e que foge um pouco às regras habituais, visto tratar-se de um pequeno tecto feito com azulejos, o que não é muito vulgar.

Vivo numa pequena casa de campo e estas habitações, por norma, possuem uma casa de banho no exterior, pois não é muito prático para quem anda cá fora, seja no pátio ou no quintal, nos seus afazeres, ter de entrar em casa para fazer as suas necessidades, ou mesmo só para lavar as mãos, pois essa entrada no interior da habitação com o calçado de trabalho irá sempre sujar a casa, a menos que se calcem uns chinelos para entrar, o que não é muito prático quando se anda com um qualquer trabalho em mãos e eu, pessoalmente, detesto ter de o fazer.

O projecto da minha casa, por motivos económicos, contemplava inicialmente apenas uma casa de banho, mas depressa surgiu a necessidade de construir outra, tendo optado por fazê-la no pátio, num espaço onde já existia um telheiro para arrumações.

Como já tinha o telhado e duas paredes apenas me foi necessário erguer outras duas, o que fiz até à altura em devia se colocado o tecto. Naquele momento hesitei sobre o modo de construir esse mesmo tecto, tendo decidido então tratar das canalizações e do reboco das paredes e depois logo se veria. Já tinha tudo pronto para começar a revestir as paredes com azulejos e ainda não me tinha decidido quanto ao tecto, pelo que resolvi continuar o trabalho procedendo ao assentamento dos azulejos. Andava entregue a esse trabalho, quando tive uma ideia que mais tarde vi a verificar ter sido óptima: fazer o tecto também em azulejos!

Depois de algum tempo a meditar sobre a melhor forma de o fazer (eu quando digo a melhor forma de fazer qualquer coisa refiro-me principalmente à parte económica), resolvi seguir o mesmo método que se usa quando se utilizam vigas e tijoleiras. Só que neste caso as vigas foram substituídas por ferros de pequena dimensão em forma de T e as tijoleiras por azulejos.

Coloquei os ferros T apoiados nas paredes, separados entre si por uma distância alguns milímetros superior ao comprimento dos azulejos (como se faz também quando se colocam as tijoleiras nas vigas), coloquei os azulejos todos muito bem unidos em cima dos ferros e depois foi só necessário fazer um pequeno escoramento e de seguida colocar uma pequena malha de ferro de 6mm. por cima dos azulejos e apoiada nas paredes e, a partir de então, estender uma camada de argamassa de areia e cimento com cerca de 2 a 3 cm.

Esta técnica permitiu ficar com o tecto completamente lavável, com um óptimo aspecto decorativo e com a certeza absoluta da impossibilidade da descolagem dos azulejos. Os ferros foram previamente pintados com um primário anti-ferrugem e a parte que ficou à vista foi pintada com tinta de esmalte de cor azul, indo de encontro à cor predominante dos desenhos de alguns azulejos.

Este tecto para além de não ter ficado dispendioso teve também a vantagem de ter sido muito fácil de construir. É verdade que é muito pequeno (apenas cerca de 3 m2, no entanto este método pode resultar também para tectos com uma área maior desde que se reforce a armadura da placa nas devidas proporções e se adoptem medidas de segurança para se poder andar por cima da “cofragem”, quando se proceder ao enchimento da placa. Convém que as peças não sejam muito pequenas, para evitar a utilização de um número elevado de ferros T.

O facto de ter colocado os azulejos nas paredes antes de construir o tecto teve a vantagem de a última fiada ter ficado certa, sem necessidade de cortar as peças o que, além de facilitar, tornou o trabalho também mais vistoso.

Já construí esta casa de banho há vários anos e nunca vi qualquer inconveniente neste tipo de tecto, antes pelo contrário, pois não exige qualquer tipo de manutenção, para além da limpeza que é, obviamente, muito fácil de fazer.

Os projectos caseiros do autor do blogue estão listados em PROJECTOS CASEIROS

Comentários

  1. Muito bem!É pratico e decorativo! O Sr.Alexandre está sempre a surpreender-nos. E o mais original é que faz um relato de cada descoberta, dando ênfase àquilo que, com estas pequenas experiências e vivências, vai aprendendo. É uma forma de marcar, de vincar cada realização.É bom ter a vida assim preenchida de empreendimentos tão enriquecedores!

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