O CAMPO DE TIRO NA SERRA DA CARREGUEIRA

A pose do "guerreiro". Ao fundo um
grupo faz o seu "piquenique" de
rações de combate.
O programa da Instrução Militar Básica na Escola de Alunos Marinheiros incluía algumas saídas ao exterior; uma visita à Escola de Limitação de Avarias no Alfeite, para assistir a uma demonstração de ataque a incêndios, outra a um navio de guerra, com uma possível saída para o mar e uma terceira para instrução de tiro. A nossa visita a um navio, infelizmente, não teve a tal saída para o mar, com grande pena minha, mas em compensação ela incidiu sobre o mais carismático navio da nossa Marinha, o nosso belo navio escola Sagres que se encontrava fundeado na Base Naval de Lisboa. Não me recordo de qualquer pormenor dessa visita, lembro-me apenas de lá ter estado por um curto período de tempo, talvez até tenha sido no mesmo dia da visita à Escola de Limitação de Avarias, mas não tenho a certeza.

Para a instrução de tiro deslocámo-nos à unidade militar dos comandos na Serra da Carregueira. Essa saída ficou mais viva na minha memória e passou-se mais ou menos do seguinte modo:

A Escola alugou um comboio especial para o efeito, para o qual embarcamos no apeadeiro da Quinta das Torres, ali mesmo ao lado da Escola. Íamos devidamente equipados, com as nossas armas e rações de combate para nos alimentarmos nesse dia. O comboio seguiu em direcção ao Setil, onde virou agulhas para a linha de Sintra, tendo circulado até à Estação do Cacém. A partir daqui até à Unidade Militar instalada na Serra da Carregueira fizemos o percurso a pé, seguindo por uma estrada que subia serpenteante em direcção ao cimo da montanha. Penso que serão uns quatro ou cinco quilómetros de distância que nós fizemos em passo estugado. Não me recordo de pormenores do trajecto, nem de como era o local, mas depois de algum tempo de busca no Google Earth, lá consegui localizar o campo de tiro, tendo gasto mais de duas horas nessa busca.

Penso que foi já na parte da tarde desse dia que fui chamado a fazer o meu exercício de tiro. Esta actividade considerada como instrução era antes do mais uma prova, pois era a partir dos resultados aqui obtidos, que era atribuída a classificação nesta área.

Este exercício ou prova constava de tiro com espingarda metralhadora G3 e pistola Walther de 9 mm. Devo dizer que não me sentia muito à vontade nesse dia, pois de facto, manejar armas nunca foi o meu forte.

Dizia-se que a G3, quando o disparo era efectuado, fazia um recuo violento à rectaguarda (o chamado coice), que podia provocar danos no ombro, mas não me pareceu que fosse assim e até tive maiores problemas com o tiro de pistola, devido à dificuldade em a manter firme na mão.

Após o exercício, recordo-me de um período de grande confusão, pois fomos enfiados num corredor ou túnel durante alguns minutos, completamente às escuras e amontoados o que originou algum pânico. Nunca cheguei a perceber o que se passou, se aquilo fazia parte do treino, ou se teria sido originado por outro motivo qualquer, apenas me lembro de ter depois saído por outro lado, para o exterior.

Era um dia muito frio de Março; não havia sol e nós almoçamos as nossas rações de combate no exterior, sentados no chão, em pequenos grupos, conversando sobre as peripécias do dia.

Nesse momento corria o boato entre os recrutas de que os melhores classificados seriam chamados para a classe de fuzileiros; não sei se isso teria alguma veracidade, no entanto, apesar de não pretender ir para essa classe, sabia que tinha feito o melhor que podia, mas também desconfiava que tinha realizado uma prova muito fraca, o que se confirmou mais tarde quando soube que me foi atribuída a classificação de atirador de 3ª classe.

Voltámos ao fim das tarde para a estação tendo a viagem de regresso à Quinta das Torres, sido efectuada em comboios normais de passageiros.

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Comentários

  1. Filho da Escola.
    Também eu fiz esse treino "intensivo" de tiro. Curiosamente também fui atirador de terceira. Devia ser geral.
    Um abraço
    Victor Gil

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