Cerimónia Militar em Foz de Arouce

Deposição de uma coroa de flores, junto ao monumento evocativo do Combate.
Foz de Arouce foi ontem palco de uma solene e sentida cerimónia de homenagem aos soldados mortos no combate que ali ocorreu, quando as tropas francesas retiravam em direcção ao norte do país.
Um pelotão do exército, com fanfarra e uniformes da época, prestou as honras militares e deu a esta cerimónia uma grandiosidade que dificilmente será esquecida pelas pessoas que a ela assistiram. Foram cerca de 30 minutos, durante os quais houve lugar a uma alocução religiosa por um capelão do exército, ao descerramento de uma placa alusiva ao 2º Centenário da Guerra Peninsular e à deposição de uma coroa de flores na base do monumento evocativo do Combate, junto ao rio Ceira e à ponte, no local exacto onde, há duzentos anos atrás, um número indefinido de militares perdeu a vida. Esta cerimónia foi também uma importante lição de história em que foram recordados não só os factos ligados ao combate, mas também a descrição de muitos episódios ocorridos durante o percurso das tropas invasoras desde que estas iniciaram a retirada das Linhas de Torres Vedras.

Monumento evocativo do Combate de Foz de Arouce

Fanfarra e pelotão do exército, com uniformes da época das Invasões Francesas.
A 3ª invasão francesa, comandada por André Masséna, um conceituado general francês, afectou principalmente a zona centro do país. Após a tomada da praça-forte de Ciudad Rodrigo, as tropas francesas entraram em território nacional e conquistaram, com muitas dificuldades, a praça de Almeida. Depois, e apesar da derrota sofrida no Buçaco, em Setembro de 2011, avançam sobre Lisboa sendo detidos pelas inexpugnáveis Linhas de Torres. Aqui permaneceram durante algumas semanas, após o que iniciaram a sua retirada em direcção ao norte, sendo perseguidos pelas tropas aliadas, comandadas por Wellington.

Um oficial do exército fazendo a descrição dos acontecimentos da época.
Masséna procurava atingir território mais a norte onde se poderia abastecer de víveres indispensáveis à manutenção do seu exército. Depois da passagem por Pombal e, na impossibilidade de se dirigir para Coimbra, decidiu contornar a cidade e dirigir-se para nordeste, pelos concelhos de Condeixa, Miranda do Corvo e Lousã, tentando atingir assim Almeida e Celorico.

Foram travados combates na zona de Pombal e Condeixa (combates da Redinha, Casal Novo e Fonte Coberta) e, por todo o lado em que passavam, as tropas de Masséna deixavam um rasto de destruição e morte. Depois da devastação em Pombal e Condeixa, incendiaram a vila de Miranda do Corvo.

Painel de azulejos colocado no mirante da batalha (monte sobranceiro ao rio).
O percurso por esta zona obrigava ao atravessamento de alguns cursos de água entre os quais pontuava o rio Ceira que em Foz de Arouce era, e ainda hoje é, atravessado por uma ponte muito antiga e estreita. Foi junto a esta ponte que se travou o combate. O facto de se tratar de uma ponte estreita e também porque o rio, naquela altura, comportava um forte caudal, terá estado na origem de um considerável número de soldados franceses terem morrido afogados, devido à confusão que se gerou durante o combate e em que se chegou a um ponto em que franceses, numa margem do rio, dispararam contra companheiros situados na outra margem.

Um dos regimentos de Masséna perdeu a sua bandeira na travessia, que mais tarde terá sido encontrada por habitantes da zona, numa altura em que o rio se encontrava quase seco.

Marco evocativo do combate situado no cimo do monte. Segundo informações de um habitante do local este monumento data de 1811 e a placa que contém as inscrições já não é a original, pois essa terá desaparecido.
Foz de Arouce sofreu muito com a passagem das tropas por ali. Para se fazer uma pequena ideia do que foram aqueles dias basta dizer que as tropas envolvidas nos confrontos se estendiam por cerca de dois quilómetros ao longo das duas margens do rio e até a igreja da povoação foi transformada em cavalariça, isto para além da destruição de muitas casas e outros bens.

Artigos relacionados com a Guerra Peninsular:
Recriação da Batalha do Buçaco (Contém vídeo da Batalha)
Os Ecos da Batalha (Contém vídeo da Batalha)


Comentários

  1. Obrigado pela publicação deste acontecimento histórico.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu é que agradeço pelo comentário.
      Foi um acontecimento importante para Foz de Arouce. Provavelmente uma cerimónia como esta não voltará a repetir-se tão cedo e, infelizmente, parece que foi bastante ignorada pela comunicação social, pelo que considero este post um registo importante do ponto mais alto do programa comemorativo do Combate de Foz de Arouce.

      Excluir

Postar um comentário